quarta-feira, 6 de junho de 2012

O poder terapêutico do "Epidendrum mosenii"


Conhecida popularmente como “Sumaré da prais”, essa espécie enconta por suas flores coloridas, além de ser utilizada pela medicina popular no tratamento de doenças infecciosas.

Por Vanessa Moura e José Roberto Ciolini
Pesquisa :José Roberto Ciolini
Revista o Mundo das Orquideas  Ano 11 nº 55
Fotos:  Josué R Gomes

O Epidendrum mosenii é uma planta da família Orchidaceae, conhecida popularmente como “Orquídea da praia” ou Sumaré da praia”.  Possui arbusto de porte baixo, de até 90 cm, com flores amarelas e vermelhas na mesma inflorescência, sendo utilizada como planta ornamental.

 É encontrada em toda costa brasileira, distribuindo-se pelo litoral catarinense, no baixo e médio Vale do Itajaí. Na medicina popular, a planta é cada vez mais empregada no tratamento em processos infecciosos e dolorosos. O extrato metanólico apresenta atividade antinoceptiva, com, “comprovada em experimentos com animais”, considerado por muitos profissionais mais potentes que alguns fármacos usados em clínicas, tais como diclofenato, aspirina,acetominofeno, dipirona e morfina.

Devido às variações sazonais, o perfil fitoquímico da espécie – observado por meio das alterações do caula – revela que as orquídeas coletadas em fevereiro apresentam melhor desempenho para essa finalidade.

Cultivo

Espécie como o Epidendrum mosenii sin., Epidendrum fulgens e Epidendrum bradeanum se adaptam bem às temperaturas variáveis entre 10 e 15ºC. O cultivo pode ser feito em vasos de cerâmicas ou plástico,  e o sombreamento mais indicado é o de 50%.
A época de inmflorescência das plantas é na primavera e pode durar até 15 dias. Um dos substratos mais apreciados pelos cultivadores e orquidófilos é a mistura da fibra de coco esfagno, carvão e casca de peroba.

Fitoterapia e História

As provas escritas que trazem informações sobre a cura por meio das plantas foram encontradas no Egito, há vários milênios, no Papiro de Ebers,  em 1.500 a.C e na Assíria, em 650 a.C.
Os resultados terapêuticos das ervas mencionados no documento foram identificados por Dioscórides e Galeno. Há também, registro na China Antiga, cerca de 2.000 anos a. C., da primeira farmacopédia  atribuída ao imperador Shen Nung. Como diz a passagem do Eclesiastes, “O Senhor criou remédios da terra, e o homem sensato não o desprezará”.
Desde os primórdios da medicina, acreditava-se que as causas primárias dos males estavam associadas às questões psíquicas. O processo de cura envolve o que conhecemos por energia, que vai além da dimensão física. Ele está ligado à força do Universo, que também tem relação com o ser humano.
Hipócrates o pai da medicina, já interpretava as doenças dentro do quadro específico e peculiar de cada paciente, abordando a sua totalidade. Seus princípios de cura se mantém até hoje como Similia similibus curentur (os semelhantes são curados por semelhantes) e Vis naturae medicatrix (a força curativa da natureza), ou seja, o poder do organismo de acionar mecanismo de defesa, favorecendo uma conduta médica.
Nos textos deixados por Hipócrates, podemos encontrar a descrição de, pelos menos, quatrocentas plantas medicinais. Em seguida, Aristóteles descreveu diversas plantas de uso terapêutico. Um de seus discípulos, Teofrasto, escreveu o importante tratado Investigação das Plantas, que é parâmetro para medicina e para a botânica até os dias atuais.

Em um outro momento histórico, o médico alemão Samuel Hahnemann (1755-1843) via-se no impasse de não crer nos próprios remédios que prescrevia e, mergulhado em um imenso dilema, decidiu abandonar a medicina. Auxiliado pelo botânico Slbrecht Von Halter, Hahnemann, que também tinha grande conhecimento de farmacologia, previu a necessidade de um estudo maior sobre a atuação do medicamento no homem, antes da sua aplicação, e acabou concluindo uma obra que é fonte de referência até hoje, o livro Organon, fundamentando as bases da homeopatia.
Paracelsus, no século 15, coletava orvalho das plantas em florescência, curando distúrbios emocionais. O filósofo, que também era um importante químico, foi pioneiro no que diz respeito à extração das essências vegetais e publicou um importante trabalho que é referência nos dias atuais, o livro Das Virtudes das Plantas, Raízes e Sementes, descrevendo a fitoterapia e a prática em laboratórios. Os princípios da Medicina alternativa foram considerados heréticos e muitos curadores foram perseguidos e torturados.
Hanehmann sistematizou os princípios da cura pela semelhança, parecido com o princípio das vacinas, qua trata os pacientes como a agente da doença. Posteriormente, Dr. Edward Bach usufruiu do conhecimento de Hanehmann sobre a homeopatia para descrever os florais.
Como se vê, a história é antiga, mas, a cada dia, uma nova planta pode ser descoberta com um novo propósito. Até mesmo uma orquídea, conhecida por sua infinita beleza, pode ter outras funções, que vão além do valor ornamental.

Fonte:
*Fernanda Ememdorfer (Mestrado em Ciências Farmacêuticas)
*2º Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA 261/99)




4 comentários:

  1. Olá,
    Obrigada pela sua visita.
    Que bonita essa postagem!
    Parabéns pelo seu blog.
    bjs

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  2. Obrigado Luciana
    abraços e uma linda tarde

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  3. Ki maravilha Bete as informações sobre este epidendrum que nos presenteia com sua beleza e tb com seus poderes terapêuticos. Ótimas informações.
    Abç Willy

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  4. Obrigado Willy, não tenho desta, então o Josué me autorizou utilizar a foto dele.
    abraços

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