terça-feira, 31 de julho de 2012

As fascinantes “MICROORQUÍDEAS”

Por Helena Prates e José Roberto Ciolini
Reportagem José Roberto Ciolini
Revista O Mundo das Orquídeas – Ano 9 nº 42
Fotos : Elisabete Delfini

As microorquídeas passam praticamente despercebidas para os apaixonados pela natureza que adentram as matas brasileiras. É preciso ter olho de gafanhoto para reconhecer essa riqueza quase invisível que vive nas florestas em meio às orquídeas de grande porte. O ambiente natural dessas preciosidades da natureza no Brasil é a Amazônia e a Mata Atlântica, de norte a sul do País. As microorquídeas podem ser vistas através de grande lentes de aumento, e a referência da escala de suas flores é a da cabeça de um palito de fósforo.

Diferentemente das orquídeas em geral, essas curiosas plantas não possuem pseudobulbos e são ligadas a seus nutrientes pelo caule. Para um olhar mais desatento, podem parecer até mesmo gramíneas, com suas flores menores do que 1 cm. Os principais gêneros conhecidos de microorquídeas são : Pleurothallis, Octomeria e a Stelis.

Como conservar espécie tão pequena e, de certa forma, desconhecidas pela maioria das pessoas? Os crescentes desmatamentos e as extrações indiscriminadas fazem com que muitas dessas espécies sequer venham a ser classificadas. Suscetíveis a quaisquer mudanças em seu meio ambiente, elas podem sucumbir a uma simples alteração de insolação.

Em meio da mata da região de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, Sr. Masuji Kayasima tem um santuário dedicado a essas espécies raras e pouco conhecidas. Uma das maiores autoridades em conhecimento de orquídeas e cultivador dessa peculiar natureza microscópica. Sr. Masuji as tem como preciosidade ha pelo menos 25 anos. Fez suas primeiras incursões na mata à procura de plantas raras na década de 1950, começou a cultivas orquídeas quando ainda era adolescente e nada o deteve a continuar.

Movido por paixão à natureza, o estudioso descobriu sua maior devoção pelas microorquídeas. Muito habilidoso e grande observador do universo, Sr. Masuji reproduziu o ambiente natural dessas maravilhosas plantas em seu bosque particular. Seu viveiro é repleto de grandes lupas, pinças e outros instrumentos que permitem a manipulação da espécie que não podem ser vistas a olho nu. E este verdadeiro santuário. Onde se espera um vaso, está o sabugo de milho. Onde se espera um fio metálico de fixação, está lá a lã e, assim seguem diversas formas de cultivo nada ortodoxas. Com grande humildade, o ecologista conta que descobriu por acaso a serventia do sabugo de milho seco para cultivar as orquídeas. As plantas são amarradas com a lã no centro da espiga e içada em um ripado de bambu utilizado como condutor térmico. Além desse curioso artefato, que dura pelo menos dois anos, o cultivador também utiliza coquinhos, rolhas de cortiça e osso bovinos como substrato para a manutenção de suas plantas.

Mas nem tudo são flores no cultivo das microorquídeas. Elas são suscetíveis a alguns tipos de larvas, quie podem ser combatidas com inseticidas naturais, como a calda de fumo e o óleo de nin, segundo Kayasima, produto conhecido no mercado, como gafanhotos e besouros, também podem atacar essas orquídeas. Para evitar esses e outro insetos inoportunos, são cultivadas plantas carnívoras que os devoram e piléias, que os repelem. Em sua forma simplificada e, ao mesmo tempo, sofisticada de cultivo, bastante ventilação e temperaturas frias. Comsequemtemente, suas plantas florescem quase o ano todo e são raridades de beleza aviltante.

Para o cultivo em vasos tradicionais, ele sugere cerâmico colocado em uma bandeja plástica com furos para escoamento da água com substrato de esfagno e fibra de coco. Os polinizadores das microorquídeas são inusitados e noturnos, e os prediletos para a polinização das plantas são as moscas marrons e os morcegos. Já para quem mora na cidade, o orquidófilo aconselha o cultivo dessas plantas num aquário vazio com pedriscos no fundo. O recipiente deve ser semicoberto por um telhado, facilitando a ventilação, e ter uma lâmpada incandescente acessa permanentemente. Os vasos nesse caso de plantio, devem ser de plástico com isopor no fundo, dubstrato de fibra de coco e furos para escoamento da água.

Masuji Kayasima também é presidente e fundador da Associação Orquidófila de Mogi das Cruzes (ASSOMOC) e está envolvido no projeto de um livro a ser publicado em breve. O trabalho do cultivador já foi registrado pela televisão japonesa do Hokkido. Em 2004, a exposição internacional de orquídeas dessa cidade, a “Hokkaido World Orchid Show”, exibiu orquídeas raríssimas no Japão e as microorquídeas brasileiras foram a grande sensação, provocando verdadeiro tumulto na enorme quantidade de visitantes do evento. As orquídeas nacionais foram reverenciadas pelos japoneses antes mesmo dos próprios brasileiros as reconhecerem a admirarem.

Sr. Masuji tem em seu samtuário plantas de gêneros Dryadella, Dichea, Stelis, Pleurothallis, Platysteles, Phymatidium. Além dessas raridades, ele comenta com alegria possuir a menor microorquídea conhecida em todo o mundo: a espécie Barbrodria miersii, cujas flores, segundo o orquidófilo, tem o tamanho de um alfinete. Este ecologista e suas descobertas estão revolucionando o mundo das orquidáceas, além de preservar um segmento de orquídea ainda tão pouco valorizado pela nossa população em geral.

10 comentários:

  1. interesting info on the orchids, planting media and especially the biological control using the carnivorous plant. thanks
    may even try out the carnivorous plant control as well....haha

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    1. Também estou pensando seriamente , espalhar várioa vasos no meu humilde orquidário.
      abraços

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  2. Que bom conhecer essa história Beth, sabe que tempos atrás eu notei umas microorquideas na mangueira da casa de meus pais, e até hoje não consegui descobrir o que é? E olha que estou acostumado a varrer todo o google atras de informação. Que bom que encontrei seu blog! Te convido também a conhecer o meu http://jardimdecalateia.com.br/

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    1. Oi Frederico
      Obrigado pela visita, já estou indo conhecer o seu site.
      abraços

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  3. Olá Bete, muito legal sua matéria.
    Dois dias atrás eu encontrei vários galhos finos repletos de micros. Eram Phymatidiuns. Estavam todos cortados e jogados para serem queimados. Recolhi tudo e ajeitei de forma a tentar recuperar...
    Abraço pro cê.

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  4. Olá Bete, muito legal sua matéria.
    Dois dias atrás eu encontrei vários galhos finos repletos de micros. Eram Phymatidiuns. Estavam todos cortados e jogados para serem queimados. Recolhi tudo e ajeitei de forma a tentar recuperar...
    Abraço pro cê.

    Josué

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  5. Olá Bete, muito legal sua matéria.
    Dois dias atrás eu encontrei vários galhos finos repletos de micros. Eram Phymatidiuns. Estavam todos cortados e jogados para serem queimados. Recolhi tudo e ajeitei de forma a tentar recuperar...
    Abraço pro cê.

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    1. Oi
      Gostei muito de vê-lo por aqui, fiquei feliz mesmo.
      Quanto as Phymatidiuns com toda certeza vão se recuperar e irão florir lindamente.
      abraços e um lindo final de semana

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  6. eu tenho algumas que poderiam estar nesse blog.
    são lindas e misteriosas, algumas raras de se encontrar.

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    1. São as que mais gosto.
      Vou deixar aqui meu e-mail caso tenha interesse em vender mudinhas, vou adorar
      beteorquidea@hotmail.com
      abraços

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