domingo, 22 de julho de 2012

É MELHOR PREVENIR DO QUE ENVENENAR



Por Isis Nobile Dinis e Darly Machado de Campos
Reportagem Darly Machado de Campos
Revista o Mundo das Orquídeas – Ano 9 – nº 43

Sem dúvida, uma eficaz maneira de preservar as orquídeas das pragas e doenças é evitar seu contato com os agentes molestiosos. Trata-se de medidas cautelares para preservar as plantas. Acompanhe os segredos do cultivo defensivo.
Por Isis Nóbile Diniz e Darly Machado de Campos
Reportagem : Darly Machado de Campos

Como afirma a sabedoria popular :”Um homem prevenido vale por dois” Esse provérbio é perfeitamente aplicado ao mundo das Orquídeas. É habitual observar, no cotidiano do cultivador amador ou profissional de orquídeas, práticas realizadas com empirismo que contribuem para a perda das plantas devido à transmissão de pragas e doenças. Paradoxalmente, isso ocorre pois o principal transmissor de pragas e doenças para as orquídeas é o próprio cultivador. Ou seja um transmissor difícil de ser controlado.

Desse modo, uma prática que deve ser aplicada é o cultivo preventivo. Para tal, faz-se necessário ter conhecimento de como as pragas e doenças aparecem nas orquídeas e quais são os vetores. Isto é, quais os condutores transmissores de fungos, bactérias ou vírus, e o que fazer para evitar as contaminações.

Um dos principais veículos de transmissão de pragas e doenças, que as carregam de uma planta para a outra, é a mão do próprio cultivador. Ao tocar plantas com fungos e bactérias, as segundas que podem ser propagadas por meio de esporos ou propágulos – partículas minúsculas capazes de multiplicá-las - , não se deve encostar em outra planta sã. Indica-se o uso de luvas látex e lavar as mãos com soluções desinfetantes – hipoclorito – ou álcool 70%, no intervalo de tratamento entre as plantas.

Os instrumentos utilizados no cultivo também merecem sua devida atenção. Eles podem transmitir, inclusive, vírus que não possuem cura e tratamento. Dessa maneira, é importante limpar cuidadosamente com solução desinfetante ou álcool 70%e, em seguida,esterilizar com maçarico ou bico de Bunsen – instrumento usado para efetuar aquecimento de materiais, com chama que pode ser controlada. Entretanto, não é indicado usar isqueiro comum para tornar estéreis os instrumentos, pois não Alcança temperatura suficiente.

Como muitos orquidários amadores são feitos de madeira e é freqüente plantar orquídeas em madeiras – caixetas de sarrafor, troncos de árvores, estrutura dos viveiros, meses ou bancadas, entre outros - ,deve-se ter atenção especial com esse material. Para viverem saudavelmente, as orquídeas precisam de umidade ambiente, em torno de 70% - a umidade varia de acordo com a espécie. Assim, a associação madeira x umidade pode levar a uma proliferação exageradas de pragas e doenças que apreciam locais úmidos. Nesse caso, não há muito o que fazer, mas uma maneira de evitar é trocar as estruturas do orquidários para metais, como aço galvanizado ou alumínio, e a cobertura e o piso para plástico.

Cortes de folhas, hastes florais ou rizomas – caule subterrâneo rico em nutrientes – devem ser feitos com instrumentos limpos e esterilizados. Também, o uso de pastas selantes é indicado para ser utilizado ao fazer incisões em qualquer parte da planta. Afinal, todo corte é sempre uma porta de entrada para patógenos.

Para evitar insetos, existe uma maneira simples e ecológica. Intercalar plantas que repelem insetos entre as orquídeas , como a Tagetes minuta, conhecida popularmente como cravo de defunto. Essa planta é útil, também para fazer infusão com talos e folhas e, consequentemente, empregada como um inseticida pra ser pulverizado. Outra planta indicada para controle de insetos é a Cymbopogon ou citronela, que deve ser plantada em áreas próximas ao orquidário de forma que receba a luz do sol. O óleo da citronela , extrato dessa planta, é eficiente repelente de insetos e exala um agradável perfume.

Outra alternativa que pode ser aplicada são as plantas carnívoras. Elas possuem fitormônio, um hormônio vegetal que atraem insetos. Quando o inseto entra em contato com a planta carnívora, ela prende ele em suas folhas e o ingere vagarosamente desse modo, são eficientes para o extermínio de insetos nocivos que circulam entre as orquídeas. Como não prejudicam as plantas, podem ser cultivadas de maneira intercalada entre as flores.

Outra maneira curiosa – e patriota – de eliminar insetos é inserir no orquidário bandeiras azuis e amarelas com cola adesiva própria, algumas com, se possível, fitomônios. Essas cores atraem as pragas devido às ondas eletromagnéticas emanadas por elas. Uma vantagem de usar as bandeiras é que, além de iliminar os invasores, podem ser enviadas para laboratórios de entomologia a fim de identificar os insetos.

A água, fonte de vida para todo ser vivo, tem a capacidade de ser um transmissor se empregada de maneira inadequada. Como os fungos e bactérias podem ser transmitidos por esporos ou propágulos, o respingo de água de uma planta para outra é perigoso. Assim a irrigação por aspersão ou por mangueiras manuais deve ser feita com cautela. A situação piora nos casos de cultivos de vasos suspensos sobre outros.

A atenção com bancadas baixas precisa ser redobrada,. O respingo de água que atinge o chão pode voltar a alcançar as plantas, acomodadas nessas bancadas, com propágulos de fungos e bactérias. Nesses casos, a prevenção deve ser meticulosa. É necessário utilizar irrigação por gotejamento e, quando for por aspersão, somente com bicos nebulizadores que provoca uma nevoa de água sem pressão. Indica-se manter distância entre os vasos para arejamento e a altura da bancada de, no mínimo, 90 cm. Também, o piso do orquidário precisa ser limpo. Qualquer vegetação que cresça torna-se um esconderijo ou mesmo um local de propagação de insetos nocivos às plantas.

Enfim, existem várias maneiras de evitar o contágio das orquídeas por pragas e doenças. São algumas dicas ou técnicas básicas que acabam com a proliferação de pragas e doenças. Antes de apelar para medidas vigorosas, deve-se procurar essas pequenas atitudes que tragam grandes resultados. Todo cuidado é pouco. Afinal “antes que o mal cresça, corte-o pela raiz”. E um bom cultivo.

2 comentários:

  1. Minha nossa Bete como sempre você me surpreendeu, essas suas dicas foram, ou melhor ainda vão ser, mais de qualquer forma, com certeza vai me ser muito ultil...

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