domingo, 9 de setembro de 2012

Orquídeas : sensibilidade ou sentido oculto?



As plantas são companheiras de verdade.

Por Érico de Freitas Machado
Revista o Mundo das Orquídeas – Ano 4 – nº 22- Matéria antiga, mas linda

O Presente artigo é dedicado a todos que amam orquídeas e têm nelas companheira de lazer, de admiração e de encanto. Tenho meio século de convívio com estas plantas e, a cada dia, sou surpreendido por novas formas, flores estranhas e até chamados que não consigo entender.

As orquídeas falam?
Não sei nunca as ouvi. Mesmo quando é forte a chuva ou o vento, elas são silenciosas.

As orquídeas ouvem?
Também não sei. Tentei várias vezes uma comunicação com a fala. Não tive resposta.

E elas sentem?
Ah! Agora é diferente. Pelo tato, com delicadeza, pode-se sentir, como um ligeiro tremor, quando elas percebem alguma ameaça (um corte na folha ou uma divisão que possa ferir o rizoma ou outra parte).  Não ´s simples, pois a planta parece um ser bruto e estático. Ela não tem movimento perceptível, como os animais, porém cresce e tem direção.
Ao manuseio mais violento, um tombo, esmagamento ou um tratamento traumático, elas apresentam reação, como se tentassem fugir da agressão. É preciso certa sensibilidade para se perceber tal comportamento.
Também, de modo inverso, elas parecem agradecer o carinho, o cuidado e até operações de cortes (folhas atacadas de fungos, raízes mortas e outras).Aqui é determinante a saúde da planta. Um indivíduo não consegue se livrar, em maior escala, de doença (fungos e vírus, etc) permitindo a continuidade, mesmo quando aparentemente estirpada (os cortes , sem uma correta assepsia, deixam transparecer a antiga doença, ou simplesmente fazem toda a folha amarelar).
De longa data tenho notado certos acontecimentos em relação às orquídeas. A princípio não prestei muita atenção, contudo, a repetição de alguns fatos despertaram minha curiosidade. Não sei explicar e apenas cito o que se sucede.
Faz muito tempo recebí o “chamado” de uma Cattleya amethystoglossa, em vasta derrubada de mata, no sul da Bahia.
No Fim da tarde, cansaso e sem mais ânimo para nada, ao voltar ao acampamento onde estava o carro, parei em determinado ponto para respirar melhor e aliviar o peso dos sacos cheios de plantas. A vontade era chegar até o carro, uns 100 metros distante. Porque parei ali? Porque não fui adiante, o que não era sacrifício tão grande? O certo é que antes de sentar no chão, ví, no meio da galhada, uma amethystoglossa enorme e bonita, como que acenando para mim. Se ali ela ficasse, poucos dias depois seria transformada em cinzas. Recolhi esta e ainda outras companheiras menores, suas vizinhas. Se continuasse caminhando não a teria visto. Acho que ela se comunicou comigo!
Em outras ocasiões, orquídeas em situações difíceis fizeram mudar meu rumo só para poder encontra-las. Tem sido comum, em meu sítio Florabela. Como os caminhos nas matas, ou as “trilhas orquidófilas”. São muitos e entrelaçados para facilitar os deslocamentos, vez por outra sou “instigado” a mudar o caminho, sem razão aparente, para logo a seguir me deparar com uma orquídea pendurada, deslocada de seu hospedeiro vivo. Já aconteceu, também, em número menor (uma ou duas vezes) com bromélias,  das quais tenho quantidade reduzida.
Há pouco dias, outro fato estranho e mais ou menos parecido com os narrados acima, deixou-me curioso. Resolvi voltar para casa, por um caminho mais longo. Não sabia a razão só depois percebi.  Em uma Dracena (hospedeiro em minha mata “artificial”), notei um pequeno Pleurothallis grobyi, em plena floração (de chamar atenção),sendo“atropelado” por uma Encyclia aodratíssima, de porte gigantesco, em comparação à pequena orquídea. Pareceu-me um “grito de socorro”. Seria asfixiado e talvez até morto, se aquele “monstro” não fosse retirado dali. Foi o que fiz. Com cuidado, removi  a Encyclia e o Pleurothallis foi libertado em minúscula touceira e o conjunto de pequenas flores amareladas balançaram ao vento, como a agradecerem por estarem livres de tal perigo.
A natureza oferece surpresas variadas e constantes ensinamentos. Tenho a sorte de fazer inúmeras observações a cada dia que passo em “meu campo natural de estudos e pesquisas”, que conservo a 40 anos e que me fez feliz, por poder desfrutar desse privilégio, numa época de destruição e imediatismo, onde as plantas e mesmo animais silvestres são presas fáceis de depredadores e  gente sem consciência.

6 comentários:

  1. Achei este artigo super interessante e acredito que as plantas tem mesmo sensibilidade e nós podemos nos comunicar com elas. Eu mesma tenho o hábito de falar "sozinha" perto de minhas plantas, agradecendo, estimulando ou às vezes reclamando de alguma coisa. Coisa de Louco não é?
    Um grande abraço.

    ResponderExcluir
  2. Oi Joselia,
    Muito interessante mesmo, em julho postei uma matéria "Ataque noturno em microorquidea", eu só não contei que foi as 2 da manhã e que tive um sonho com o danadinho comendo a planta.
    Quando li a materia, percebí que não estou sozinha e acredito mesmo na comunicação que existe.
    abraços

    ResponderExcluir
  3. Interessante o texto. Acredito que elas nos enviam mensagens.rs..pois ha muitos anos eu venho tentando cultiva las e confesso que ja assassinei umas tantas,mas teimosa e paciente que sou, não desisti e fui recompensada por esse cuidado que tenho com elas, as vezes nem tanto ,mas na medida do possivel. Gostaria muito de ter um espaço maior para cuidar , uma varanda de 1,5 X 2,5 com sol ate as dez horas da manha é o que disponho,mas fico feliz mesmo assim, são minhas amigas diarias, todos os dias no inicio da manha e no fim da tarde vou observa-las, como se fossem filhas , vejo se dormiu bem ou se passou o dia bem...rs..
    Ah, vou adorar a mudinha, quero muito.
    bjos e boa semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Angela
      Envia o endereço pelo meu e-mail, se preferir.
      beteorquidea@hotmail.com
      abraços

      Excluir
  4. Respostas
    1. Obrigada pela visita
      volte sempre
      abraços e uma linda quinta feira

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...