sábado, 3 de agosto de 2013

Orquídeas Preservadas


ORQUÍDEAS PRESERVADAS

O cultivo assimbiótico, inserido pelo laboratório de Biotecnologia da Universidade Federal do Pará, pode ser a única forma de salvar algumas espécies amazônicas
Por Vanessa Moura e Profº Dr. Marco Antônio Menezes Neto

A família Orquidácea é uma das mais numerosas do Reino Plantae, com cerca de 35 mil espécie e milhares de híbridos, distribuídos em quase todas as regiões do globo, principalmente em áreas tropicais. Além do aspecto ornamental, alguns gêneros de orquídeas fornecem produtos alimentícios como a baunilha(espécie do gênero baunilha), medicinais e outros utilizados na indústria.
O Brasil é um dos paises mais ricos em diversidade de orquídeas. Na Amazônia brasileira, os gêneros mais representativos em número de espécie são : Catasetum, Maxillaria, Epidendrum, Habenaria e Encyclia.



Apesar da grande diversidade de orquídeas distribuídas por todo o território nacional, muito pouco tem sido feito para preservar esse grupo de plantas tão significativo. A coleta indiscriminada e a devastação de seus habitats têm provocado uma devastadora redução genética das orquídeas amazônicas, colocando em risco de extinção algumas espécie como Psymburgkia crispa, Scuticaria sp,Encyclia paraenses, Corianthes sp, Brassia chloroleuca, brassavola martiana, Zigosepalum labiosum e Marmodes paraenses, que eram encontradas facilmente na região metropolitana de Belém(Pará), principalmente em área de várzeas.


Atualmente, algumas dessas orquídeas só são vistas em orquidários particulares, em Belém e em outras regiões do Brasil, sendo raramente encontradas no ambiente natural. Pouquíssimo tem sido feito para reverter esse quadro desolador apesar da unanimidade quando se fala da beleza e da importância ecológica dessas espécies.


A cultura assimbiótica(ou semeadura in vitro de orquídeas) – técnica que permite o cultivo de sementes em meio nutritivo capaz de nutrí-las até que formem plantas completas e independentes – é importantíssima do ponto de vista comercial e ecológico, pois possibilita o aumento da variedade genética das espécies. Resulta em maiores percentuais de germinação, em comparação com a realizada em condições naturais o que permite a produção de um grande número de plantas em curto espaço de tempo (produção em larga escala).

GERMINAÇÃO

No ambiente natural, a germinação de sementes depende muito de se estabelecer uma associação da qual o fungo penetre na semente e nutra o embrião durante a fase inicial de desenvolvimento. Das milhares de sementes que um fruto pode liberar, apenas algumas germinam e formam plantas adultas.


As plantas produzidas in vitro, a partir do cultivo assimbiótico de sementes, são interessantes para propagação de reintrodução de espécie nativas em áreas de preservação ambiental. Talvez programas desse tipo sejam a única solução viável para salvar algumas orquídeas amazônicas.


Para amenizar essa realidade, o Laboratório de Biotecnologia da Universidade Federal do Pará desenvolve um projeto de propagação e reintrodução de orquídeas que há décadas eram facilmente encontradas em áreas da região metropolitana de Belém do Pará.
O projeto foi iniciado em agosto de 2007 e pretende realizar as primeiras reintroduções a partir de agosto de 2009, em áreas de preservação públicas e privadas. Com o objetivo de despertar consciência de se preservar essas plantas, participarão alunos do ensino fundamental é médio.


A possibilidade de admirar a beleza das orquídeas não pode ser um previlégio de poucos, mas, sim, da coletividade. Para isso, é fundamental que essas plantas maravilhosas sejam reintroduzidas em parques, praças, jardins botânicos, ou qualquer área acessível ao público.

IBAMA APREENDE ORQUÍDEAS ENVIADAS PELO CORREIO

Qualquer envio de animais, vegetais ou microorganismo ou suas partes precisa autorização do Ibama. Segundo o chefe-substituto de fiscalização do Ibama, Paulo Sergio Aredes de Araújo, orquídeas estão sendo remetidas ao exterior sem as licenças necessárias “Muitas plantas são retiradas da Mata Atlântica, algumas em extinção, coletadas de uma maneira qualquer na natureza”, afirma Paulo Sergio. “Além de representar um risco ao meio ambiente, outra questão é que muitas plantas são utilizadas em pesquisas fora do Brasil, afim de descobrirem uma nova função do Vegetal. Se até rapadura já foi enviada para o exterior e atribuída a outro país, o que dizer das nossas espécies, que vão pra fora sem o nosso conhecimento?”, diz o fiscal.

Colaborador
Professor Dr. Márcio Antônio Menezes Neto (Engenheiro Agrônomo)
Professor Adjunto II da Universidade Federal do Pará (UFPA)
Revista “O Mundo das Orquídeas Ano 11 – Nº 55”




 

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